Como se divertir e proteger crianças com TEA durante o Carnaval

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Imagem: divulgação
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Uma das datas mais esperadas pelas crianças é o Carnaval, com seus bloquinhos e bailes espalhados por todo o país. Mas enquanto para alguns a diversão é garantida, para as crianças com Transtorno do Espectro Autista nem sempre é uma época de alegria. E assim como acontece em outras datas, como Réveillon, podem acontecer crises de choro, irritabilidade, medo, agressividade e desregulação.

“O Carnaval, com todos os seus estímulos visuais e auditivos, além de muita gente junta em um mesmo local, pode ser um grande desafio para as crianças com TEA, já que muitas têm hipersensibilidade da visão e audição e não conseguem lidar muito bem com sons altos, aglomerações, com as cores e as formas das fantasias etc”, explica a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto. Bárbara lembra, porém, que essa pode ser uma boa oportunidade de apresentar novas experiências para os pequenos. “Para alguns, devido à essa hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente, até mesmo as serpentinas e confetes que todos brincam nesse momento ou o som de algum instrumento musical podem causar pânico”, complementa Calmeto.

Mas há algumas estratégias que podem ser usadas para acalmar as crianças e fazer com que consigam se divertir nos dias de bailes e blocos. “Uma das formas de ajudar a enfrentar esses momentos é por meio da dessensibilização, quando os pais e responsáveis podem experienciar com as crianças os estímulos externos que vão encontrar nas comemorações do carnaval. É possível, por exemplo, comprar alguns confetes e colocar em um saquinho transparente para que a criança sinta a textura e veja os formatos e cores; pode-se comprar também as serpentinas e jogar em casa com os pequenos, todo dia brincando um pouquinho. Compre aqueles sprays de espuma, para que a criança não leve um susto se alguém espirrar perto dela. Coloque marchinhas em som baixo e vá aumentando o volume com o passar dos dias. Vale também experimentar cada peça da fantasia por dia, para que se acostumem com o toque, as cores etc”, sugere. Além disso, pode-se, por exemplo, assistir com as crianças aos vídeos de bailes, blocos e escolas de samba. “Depois de assistirem aos vídeos, use a ludicidade para desenhar com a criança as fantasias mais legais, inclusive dos personagens que gosta. Também é indicado fazer o que chamamos de aprendizagem respondente, que é quando colocamos os barulhos que podem acontecer durante a data no computador com o som mais alto e brincamos. Assim, a criança acaba associando os barulhos à diversão e brincadeiras”, sugere.

Para ajudar a minimizar os efeitos dos barulhos das bandinhas e blocos e das luzes nos bailes, os pais podem dar a noção de previsibilidade à criança com TEA, explicando o motivo de isso acontecer. “Faça a criança entender como as pessoas preparam os bailes e blocos, como escolhem tais músicas, porque as fantasias são importantes. E sempre enfatize que, embora tudo seja diferente da rotina que tem, é seguro se divertir no carnaval”, pontua Calmeto. Outra tática interessante é explicar como tudo vai acontecer, especificando quanto tempo vai durar, quando vai acabar, o que acontecerá por lá. “Crianças podem ficar mais calmas quando entendem o cronograma de tudo que vai acontecer. Portanto, deixe sua criança planejar a programação da família durante o carnaval junto com você. Se forem a algum baile, pergunte se ele teria algum pedido para a ocasião, como levar um amigo, explique a ordem dos acontecimentos durante o evento, como chegar ao baile, brincar, parar para comer etc”, lembra Bárbara. “Lembre-se, ainda, de não levar a criança para o meio de aglomerações. Até mesmo nos bloquinhos de rua, há espaços nas laterais, que ficam mais vazios. Nos bailes, procure ficar em mesas, que normalmente estão mais distantes do centro do salão”, complementa.

Mas se o programa da família durante a data não incluir blocos e bailes, mas viagens, também é preciso apresentar para a criança o que ela vai encontrar. “Em hotéis e até casas alugadas, normalmente é tudo muito diferente do habitual. Se seu filho dorme no quarto dele, ao viajar provavelmente vai dividir o espaço com o resto da família ou outras crianças. A disposição na hora da alimentação, em refeitórios com várias mesas e barulho, e até a pressão da água do chuveiro podem incomodar. Então, para ajudar, leve os brinquedos que ele gosta para brincar na hora do banho, dormir ou quando for comer; ande de carro por trajetos mais longos para saber como será ficar mais tempo dentro do carro em uma estrada; leve snacks ou lanchinhos que a criança goste; uma playlist que normalmente gosta de ouvir etc. O importante é que a criança se sinta o mais familiarizada possível da situação”, orienta a neuropsicóloga.

É preciso lembrar, porém, que mesmo com essas dicas, pode ser que a criança não queira participar do carnaval de jeito nenhum. Nesses casos, respeite o que seu filho quiser fazer e fique distante dos locais onde acontecem essas festas. E se for inevitável ficar perto de nenhuma comemoração, dê para sua criança o que ela gosta e a deixa mais tranquila, como um brinquedo, um paninho etc e tente usar fones de ouvido grandes, aqueles em formato de concha, que cobrem toda a orelha para abafar o som externo. “Mas comece a usar antes do evento, já que algumas crianças não gostam de colocar nada no ouvido. Porém, esse recurso não deve ser usado em médio ou longo prazo, já que a criança pode desenvolver uma sensibilidade a mais. É apenas para que possam passar por esse período sem sofrimento com o barulho”, alerta.

E uma última dica, mas não menos importante: como, nessas ocasiões, o foco dos pais costuma ser nas reações da criança aos estímulos externos, muitas vezes eles podem esquecer de algumas ações básicas da rotina da criança, principalmente se estiverem na rua e nesse calor. Mantenha uma alimentação leve e a hidratação com muita água e suco durante os blocos e bailinhos; fantasie, sim, mas com roupas leves; e, ao chegar em casa, banho e cama. Ter um sono tranquilo e reparador vai ajudar a garantir a tranquilidade dos pequenos. E mais: com tudo correndo bem, a criança passará a enxergar o carnaval de uma forma positiva”, conclui Calmeto.

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