Sororidade

Por Chris Larroudé
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sororidade
Imagem: Canva

Outro dia li um artigo da Paula Bellizia, VP de Marketing America Latina do Google, que me deixou chocada. A pandemia teve um efeito devastador nas carreiras femininas: 7 milhões de mulheres ficaram desempregadas. Com o fechamento das escolas e a redução da rede de apoio (avós, babás, cuidadoras), as mães foram obrigadas a deixar suas carreiras de lado para assumirem o cuidado com as crianças, além das tarefas domésticas. Isso significou um retrocesso de 30 anos na causa feminina.

Você sabia que a maior parte das famílias do Brasil são lideradas por mulheres? É por isso que os efeitos devastadores da pandemia tanto me preocupam. Em 8 de março foi celebrado o Dia Internacional da Mulher e, durante todo o mês, ocorrem iniciativas para estimular a reflexão sobre o tema. Eu endosso esse discurso e afirmo: não devemos ficar estagnados e apenas discursar sobre a igualdade de oportunidades, sobre o reconhecimento e sobre a data ser política. É preciso agir, com ações práticas, literalmente.

Acho que tudo começa com a consciência de que CADA UM DE NÓS PODE FAZER A DIFERENÇA.

Você sabia que, dessas mães que ficaram desempregadas, grande parte partiu para um plano B via empreendedorismo, para garantir o sustento de seu lar – são doceiras, marmiteiras, vendem seu artesanato ou são profissionais liberais? Uma coisa muito simples, que você pode fazer hoje mesmo, é mudar a sua forma de consumo e verificar sempre se é possível comprar o que necessita de uma mãe empreendedora.

Outro dia estava em grupo do Facebook, em que uma das mães perguntava sobre um aplicativo de ginástica bacana. Várias mulheres deram sugestões, até que surgiu uma com uma provocação: Você já pensou em fazer aulas on-line com uma mãe personal trainer? Puxa, até aquele momento ninguém tinha pensado nisso. Fiquei super feliz em ver que aquele posicionamento, fez o mindset daquele grupo mudar, e várias passaram a procurar essa modalidade.

Além dessa pequena mudança de mindset de consumo, uma mudança simples e de grande efeito é a SORORIDADE. O que significa isso? “Relação de irmandade, união, afeto ou amizade entre mulheres, assemelhando-se àquela estabelecida entre irmãs.”

Infelizmente, noto que ainda falta muita sororidade entre as mulheres. Ainda hoje, as mulheres são as maiores críticas de outras mulheres. Ao invés de acolhermos e nos apoiarmos umas às outras, criticamos, competimos, invejamos…. Você já percebeu isso? São tantos exemplos, mas vou dividir alguns que me aconteceram recentemente.

Comprei um lote de livros usados pela internet e, entre eles, tinha um livro sobre relacionamento. Numa noite de insônia comecei a lê-lo, parecia uma leitura simples, leve e divertido. Qual não foi a minha surpresa, num livro escrito por uma mulher em 2011, tinha pérolas como ´os homens gostam de decotes, mas não se casam com mulheres que usam decote´ ou ´não transe na primeira noite se quiser um relacionamento mais sério´. Fiquei chocada. De verdade… parecia um manual ´pega-rapaz´ de 1950, escrito por um homem. Mas não. Foi escrito há 10 anos, POR UMA MULHER, que discorreu por mais de 200 páginas com dicas e receitas de como atrair seu marido e manter o casamento. Agora você acha que esse livro foi um fracasso??? NÃO! Tem mais de um milhão de exemplares vendidos e foi traduzido e vendido em mais de 30 países. De verdade. Fiquei chocada e triste. Isso é falta de exemplo, de conversa, de sororidade. Nenhuma mulher deveria ter que recorrer a um livro desses. E, o que é pior: nenhuma mulher deveria escrever tamanhas besteiras e influenciar tantas mulheres no que certamente é um retrocesso para a igualdade entre homens e mulheres.

Outro exemplo que queria trazer foi uma ´queda de braço´ nas redes sociais entre mães que iam mandar os filhos para escola e mães que preferiam manter os filhos em casa. Sinceramente – ambas decisões difíceis. Mas ao invés de termos empatia e respeito pela decisão dos pais – que em última instancia, são os que sabem o que é melhor para os filhos e melhor para sua família – mães se atacavam e esfregavam estudos provando suas teses na cara uma da outra. Para que isso? Porque cada um não pode ter apenas sua decisão e acolher e respeitar a decisão dos outros? Cadê a sororidade? Mandar o filho para escola é difícil: já tem a culpa de expor o filho ao risco. Deixar o filho em casa também é difícil: as crianças estão sendo impactadas emocionalmente por essa decisão e todo o contexto da pandemia tem causado um importante gap de aprendizado.

Acolher, respeitar, ter mais empatia. Está faltando tudo isso entre nós, mulheres. A verdade é que não está fácil para ninguém. Mas, se a gente não se apoiar, não se acolher, não se incentivar, não se admirar, não vamos conseguir conquistar nosso espaço. Vitórias individuais não garantem às mulheres o espaço de igualdade na sociedade que precisamos conquistar. Não é um tema feminino, não atinge 50% da sociedade. É um tema 100%. Afinal, como vi uma charge no dia das mulheres – 50% das pessoas são mulheres, e os outros 50% são filhos delas. Vamos juntos fazer um mundo melhor para nós e principalmente para nossos filhos.

 

 

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