Síndrome de Down: entenda os desafios da alimentação na infância

Fonoaudióloga explica que a alimentação é um dos principais pilares do tratamento dessas crianças
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Imagem: Pexels
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No dia 21 de março é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down como forma de conscientizar a sociedade sobre essa alteração genética e para garantir aos portadores da síndrome a inclusão social e a igualdade de direitos em todas as áreas.

Essa data foi escolhida internacionalmente como referência à falha genética no par 21 de cromossomos, que no caso das pessoas que apresentam a síndrome, aparece com três exemplares – chamada de trissomia –, por isso então o 21/03.

Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada 700 pessoas que nascem no Brasil tem Síndrome de Down. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 300 mil pessoas têm a síndrome no país.

Devido às características específicas dela, como o comprometimento intelectual e outras ligadas diretamente à alimentação, como alterações do sistema digestório, endocrinológica, gastrointestinal, ortodônticas, doenças celíacas e até mesmo o próprio processo de mastigar os alimentos, é essencial que haja um acompanhamento desde cedo por um profissional especializado.

“Um dos grandes desafios da criança com Síndrome de Down é a alimentação, desde a amamentação até a mastigação. Devido a uma hipotonia muscular global, ao tamanho da língua, e também a comorbidades associadas, como a cardiopatia, por exemplo, muitas delas podem apresentar dificuldades para sugar, além de poder demorar para aprender a mastigar. Algumas crianças podem apresentar dificuldades na mobilidade da língua, dificultando o movimento de lateralização, necessário para mastigar. Esse fato somado aos desafios sensoriais, muitas vezes também presentes, dificultam que essas crianças possam aceitar alimentos com maior textura”, explica a fonoaudióloga Dra. Patrícia Junqueira, fundadora e diretora do Instituto de Desenvolvimento Infantil e especialista em avaliação e reabilitação de bebês e crianças com dificuldades alimentares.

A profissional ainda explica que quando isso não é identificado e tratado, alguns pais podem ter dificuldade na oferta de alimentos sólidos e com texturas. Algumas crianças ainda podem ter uma seletividade alimentar devido à própria dificuldade motora oral, da língua, e também por causa da dificuldade sensorial, além de intolerâncias alimentares.
“As crianças que apresentam a síndrome mais grave, por exemplo aquelas que têm cardiopatia, que é uma comorbidade, podem necessitar do uso de uma sonda nasal e/ou uma gastrostomia para auxiliar na alimentação e na ingestão dos nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento delas, então são crianças que já nascem fazendo fono para aprender a sugar, a mastigar, a falar”, conclui Patrícia.

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