Setembro Amarelo: saiba mais sobre a depressão pós-parto

Mais de 25% das mães brasileiras apresentam sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê
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Imagem: Freepik
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Durante o mês de setembro é realizada a campanha Setembro Amarelo que tem o objetivo de conscientizar sobre a importância de prevenir o suicídio. E como a depressão é um dos principais fatores que leva ao suicídio, é importante aproveitar este momento para falar da depressão pós-parto.

Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 25% das mães no Brasil apresentam sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. “Trata-se de uma doença que pode ter início na gestação, com sintomas culminando até um ano depois do nascimento do bebê”, diz a Dra. Mariana Rosario, ginecologista e obstetra.

Principais sintomas da depressão pós-parto

A depressão pós-parto é caracterizada por tristeza, apatia, desalento, insônia ou excesso de sono, alterações no apetite, sentimento de culpa, dificuldade de concentração e ansiedade, entre outros sinais típicos da depressão. As principais causas fisiológicas deste quadro são as alterações hormonais bruscas que ocorrem com a mulher ou casos apenas emocionais.

O avanço da doença pode criar um quadro chamado de psicose pós-parto, principalmente em mulheres com distúrbio bipolar. Os sintomas, que começam geralmente durante as três primeiras semanas do puerpério, incluem desconexão com os familiares e o bebê, confusão mental, mudanças drásticas de humor, alucinações e desejo de fazer mal a outras pessoas, a si mesma e ao bebê.

Diferença entre o baby blues e a depressão pós-parto

Nos primeiros dias após a chegada do bebê é comum a mãe passar pelo baby blues, um sentimento melancólico, que dura poucas semanas. O baby blues é diferente da depressão pós-parto e não precisa de medicação ou tratamento, porque é resultado de um desequilíbrio hormonal momentâneo, que o próprio organismo feminino consegue solucionar.

Quando e como tratar a depressão pós-parto

Caso os sintomas persistam e evoluam, a mãe deve passar por uma consulta com seu obstetra, que poderá encaminhá-la ao psiquiatra e psicólogo. O tratamento é semelhante ao da depressão, envolvendo terapia e medicamentos.

“A depressão pós-parto geralmente é ocasionada por problemas que a mulher carrega consigo. Medos gerados na gestação – como o do abandono, violência doméstica, problemas financeiros, desemprego, entre outros – , dificuldades de relacionamento, quadros depressivos anteriores à gravidez, morte na família, entre outros aspectos, devem ser investigados, para que os profissionais tenham clara a origem do problema”, explica a Dra. Mariana.

A especialista reforça a importância da rede de apoio neste momento, uma vez que a mulher é muito julgada e dificilmente consegue dar conta desses sentimentos sozinha.

O papel do obstetra no diagnóstico

Flávia do Vale, coordenadora da Obstetrícia do Hospital Icaraí (RJ), explica que o obstetra tem um papel fundamental no diagnóstico. ” Existem pacientes que já possuem fatores de risco passíveis de serem identificados no pré-natal. A pessoa com histórico – como depressão, uso de antidepressivos ou gestação não desejada – possui um risco maior de desenvolver a depressão pós-parto”, destaca a médica.

Por isso, é importante que a mãe conte todo o seu histórico e tenha uma relação aberta com o obstetra, explicando seus medos, dúvidas e tristezas.

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